Caldo Verde

O
Caldo Verde é decididamente a sopa que mais presente estará na memória coletiva do povo português como criação sua e representativa do seu espirito pela sua simplicidade e pelas associações de alegria, paz, e aconchego da alma e dos corações naqueles dias mais frios e agrestes do ano.



Basta a batata, a couve galega, uma rodela de chouriço, um fio de azeite, com uma preparação básica para conseguir um caldo que é um ícone de perfeição e beleza gastronómica e do que melhor há na cozinha mediterrânica.

O Caldo Verde sendo típico, nascido e criado, na região norte de Portugal, rapidamente foi adotado por todas as regiões de Portugal e quem nos visita sabe disso, impressionados que ficam com a iguaria, encontra-o nas festas e romarias populares de norte a sul do país a ser apreciado em malgas de barro.

 Origem do Caldo Verde


Conta-se que o Caldo Verde nasceu da fome e da pobreza, na transição entre o século catorze e o quinze, porque sendo os seus ingredientes os que mais existiam nas culturas, o génio de um alquimista esquecido uni-os numa fórmula mágica e conseguiu esta sopa que saciava a população.

Conta-se que a receita foi escrita em verso. Escritores e poetas referem-no: Camilo, Eça, Júlio Dinis, Ramalho Ortigão. 

Correia de Oliveira define-o: "Que núpcias de sustento e de sabor". Fernando Pessoa foi devoto desta simbiose de caldo de batata e couve-galega. 

Não podia faltar num poema que Amália Rodrigues cantou e imortalizou "Uma Casa Portuguesa", com música de Artur Fonseca e letra de Reinaldo Ferreira e Vasco Matos Sequeira. “No conforto pobrezinho do meu lar/ Há fartura de carinho/ A cortina da janela e o luar/ Mais o sol que bate nela/ Basta pouco, poucochinho pra alegrar/ Uma existência singela/ É só amor, pão e vinho/ E um caldo verde, verdinho/ A fumegar na tigela."

Nessa altura a Europa foi sacudida por muitos eventos adversos, como a Peste Negra, a Grande Fome devido a uma crise resultante do aumento de população sem produção suficiente para a alimentar, guerras e revoluções internamente e entre vários estados entre si.

O Caldo Verde começou por ser uma sopa do norte de Portugal, quase obrigatória na alimentação da classe mais desfavorecida, que rapidamente se difundiu por todas as suas regiões.

De qualquer forma, devemos ao Minho a sua existência, mais concretamente a Valença – apesar de haver uma pequena variação na Beira-Alta, em Viseu, embora tendo sempre por base a receita original.

No caldo de couve-galega e batatas, uma das partes fundamentais centra-se na rodela de chouriço que costuma ser acrescentada quando a sopa já se encontra no prato ou na tigela onde é servido, oferecendo um toque único de contraste de sabores com a batata e a couve.

Uma sopa deliciosa preparada num tradicional pote de ferro com a ajuda de uma colher de pau, até estar pronto a servir nas famosas tigelas de barro portuguesas, é tradicionalmente acompanhada por broa de milho e que, de acordo com a receita original, deverá ser servida com um bom vinho.

É por isso que o Caldo Verde é um dos cartões de visita de Portugal e o segredo encontra-se na couve, que é cortada em tiras muito finas que permitem que o seu sabor passe rapidamente para o caldo. E quem nos visita, como as memórias positivas que se guardam para sempre, nunca mais o esquece.


Trata-se, em receita, da cozedura de batata e cebola e alho, depois batida e deixada em puré liquidificado com a ajuda de água. Depois de se voltar a ferver o caldo, junta-se couve-galega (também minhota) muito fina. No final, quando já preparada, adicionam-se azeite e uma ou duas rodelas de chouriço que ficam à tona, quase como decoração. 

Em Viseu, dá-se um retoque final com o acompanhamento de uma broa de milho. Curto e simples, num bom exemplo de como os mais carenciados conseguiam fazer muito com pouco.

É mais que merecido o título que alguns lhe dão: a sopa popular. 

Com efeito, é rara a festa – seja ela de celebração a um santo, ou cíclica, ou de comemoração local – que não tenha garantida a presença do Caldo Verde e quem muito pergunte por ela. 

Em 2011 foi considerada uma das 7 Maravilhas Gastronómicas de Portugal.

Ingredientes

1 Kg e meio de batatas
200 gr. de cebola
150 gr. de chouriço
1/2 couve-galega
100 mililitros de azeite
Sal

Preparação

Descasque e corte as cebolas e as batatas e leve-as a cozer em 2 litros de água.
Junte o chouriço e deixe até ficar cozido.
Retire-o da água, corte-o em rodelas e reserve.
Reduza a puré as batatas e as cebolas.
Leve de novo ao lume até ferver.
Lave as couves e corte-as finamente, tempere com sal e deixe ferver durante três ou quatro minutos sem tampa.
Retire do fogo e sirva com uma rodela de chouriço e um fio de azeite.

Mas não esqueça a broa de milho e um bom vinho!!

Caldo Verde Caldo Verde Reviewed by Marta Rainier on abril 25, 2021 Rating: 5
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